terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
O Dragão Fêmea e a Lua Negra
Não fosse da noite testemunha
a Lua Negra
Selene pálida quase sumida
Artemísia mirava sua imagem de narciso
no lago da intensa paixão reflexa
Não fosse agora, como seria ontem
um sonido, uma buzina insuspeita
ténue raio trespassava o lucivelo
que iluminava a mundana rua
Rosa Branca teria sido despercebida
Nesse mesmo instante
do centro inefável da galáxia,
de onde habita Panku
raios cósmicos peraltas
vieram aqui tecer suas brincadeiras
de partículas infantes
sem formas, nem vícios
varando a tela sutil da noite
atravessando mentes e corpos
ligando, separando, recriando, desunindo
harmônicas e constantes
incendiando paixões e líbidos
colocando em movimento
imensas energias celestes
sem culpa
sem culpa
Rosa Branca e Artemísia voluntariosa
trocam olhares, tramam artimanhas
jogos de cena, palavras roucas
confissões que só os espíritos do vinho concedem
palavras que só a madrugada consente
No banho nu da Lua Negra
inflama tórrida união
se entregam como podem
enroscadas no troca, troca
sem dó ou pudor
sem nada que não seja o tocar
Flor se despetala
caçadora que espreita
fisga a presa e flui
liquido susurro de prazer
inesgotável ardente lascívia
Folia de partículas peraltas
Folia de partículas peraltas
do centro inefável da galaxia
levianas andarilhas de estrelas
levianas andarilhas de estrelas
êxtase e paixão
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Guerras e Notícias de Guerras
Nos Dízimos e nos Dizimistas
Que pagam a fé como se fosse um fast food
Enquanto engorda o demônio de toga
Que prega o ódio na porta do templo
Vocifera ensandecido
Sobre as chamas do inferno
Faz do Demo sua escola
E profana o nome do Cristo
Jesus implora ao Pai
A misericórdia Divina
Que se exaure a cada dia
Como areia que escorre na Clepsidra
Satã é o olho de Deus que vagueia sobre a Terra
![]() |
| Satan Atormenta Jó - Willian Blake |
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Autopoiesis
Sol pulsa no vácuo
um pulsar sonoro candente
incendeia a coroa solar
emana luz e calor
Hare Brama
Hare Krishna
harmonia Celestial
incendeia a coroa
da mente do pensador
Segue teu incrível destino
de pedra curta, ou pedra lascada
de planta unicelular
DNA, célula
de ameba pobre surda
salto de velocidade
absurda / instantânea
para o portento
da matinal divindade
que produz o dia Cósmico...
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
AK 47
I
Acarreta a folha caída
o Livro canto
Preenche com minúcias
as brancas folhas
Como prenhe
líquido amniótico
que escorre sangrento
enquanto nasce o rebento
Mamífera figura
pasta junto ao rebanho
Rumina idéias
como o vento
brandindo a gramínea
Neocórtex Central
avantajado
procura deuses
sobre a relva
enquanto o pasto seca
resoluto
Multitude de seres
roubam almas
e destroem campos.
II
Logo as almas fartas
escasseiam
nos Céus de nuvens
do paraíso
Após, do Abismo, a Queda
na Terra encarnam
demônios sedentos
que em rebanhos
nuvens densas como pragas
devoram / liquidam
as flores da Primavera
III
Meu Daímon
espelho reflexo
sorri com desdém
e sussurra empedernido
Até agora o que fizeste?
Mourejaste com os ímpios
Negaste aos companheiros
teu ombro em meio a batalha
Teus filhos imolaste
aos deuses que pairam nesse mundo
sedentos de sangue e gentes
Como fera camuflada
predador que segue o rebanho
e devora os mais doentes
de todos és o pior pecador
pois tens o conhecimento
e negas a tua sabedoria.
IV
Incontinenti contesto a imagem
o Daímon reflexo:
Não seria esmagado
como foram tantos
pelo leviatã a cargo dos poderosos?
Não choram ainda as carpideiras
tantos corpos insepultos na Terra?
Os vencedores não dançam ainda
seus festins
sobre os cadáveres?
Minha covardia tem sido
até agora a melhor arma
chave de minha sobrevivência
Mas paga a pena o covarde vivo
ao observar o lindo mundo
virado inferno
pelo desacerto dos homens
Ato contínuo: o rebanho pasta
Como fera camuflada
permaneço ruminando
a espera da Aurora...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Jeri
Lua de asfalto
Negra lua nova
que nunca se vê
atrás da fumaça
na cidade moderna.
Abre o pano e entra em cena
o maltrapilho mamulengo com seu cajado
O beato profeta declama então sua revolta:
Oh! Romantica lua prateada
sempre cheia
casca de cajú matinal
tirado do pé
café dos campeões
tirado do pé
café dos campeões
já arde a duna
o caliente Sol
derrete as sandálias da menina
e brilha o verde oceano
Fauna partida em pedaços
couro de jegue
muqueca de arraia
buchada de bode
buchada de bode
pimenta brava
refestelado olhando a fonte
de água translúcida
passar preguiçosa
ao meu mando.
Cavalo marinho
servido na vasilha
para alimentar
apenas aos olhos
matuto malandro
canoa furada
folha suspensa
areia, areia, areia
a se perder de vista.
Sáfari imaginário,
jacaré na guarda
mirando a montanha
a boca seca
o coco gelado
o pequeno lothar
na cabeça
na cabeça
carrega os mantimentos
Lá também pagam dólares
Lá também pagam dólares
para os broncos
cometerem cativas mesuras,
cometerem cativas mesuras,
familiar e reconfortante
reminiscencia colonial.
Babel tropical
noite indolente
lugar de encontros
e lua de mel com a amada
É onde a noite
arranha a aranha
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Páthos
do poeta extasiado,
eremita que sobe a trilha cotidiana
e vislumbra exótica flôr que brota na montanha.
Ele ao deparar a beleza de fractais divinos,
no perfume, nas pétalas e símbolos
delicada veste colorida
vida improvável em meio ao pedregulho
que encanta o observador
emociona a alma mais dura
e enleva a mais fria mente reflexiva:
"Será milagre da natureza,
acaso ou força divina?"
"Se é assim do nada o brotar da vida
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