quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Poemas escritos de 1978 a 2010

TÍTULO:  MIAMI

FOLHAS,  RAMAS,
                   MUITAS   TRAMAS
ENTRELAÇAM  TRONCOS
TROPICAL  RAINFOREST
                   BEST  THING
PAGAM  DÓLARES
PARA  OS  BRONCOS.




TÍTULO:KEY  WEST.  DATA:1991.


ENCALHADA  NOS  RECIFES
LIVING  CORAL  REEFS
COMO  CIDADE  ESCUNA
BRISA,  NAVIO.
ILHA  DE  ENCANTOS
DAS  SEREIAS  DE  ODISSEU
ANTRO  DE  JOVENS  PIRATAS,
VELHOS  LOBOS  DO  MAR
PERDIDOS  NOS  SALOONS
DA  DUVAL  STREET.

ENCONTRO  SEMPRE HEMINGWAY,
VAGANTE  ESPÍRITO  IMORTAL,  
PELOS  CASARÕES  DE  MADEIRA,
TEUS  CAMINHOS  ENSOLARADOS,
TUAS  RUAS  COLORIDAS,             
LEVANDO  AO  PÔR  DO  SOL
NO  GOLFO  DO  MÉXICO
I  WAS  THERE...


TITULO:  MAMBEMBE.

MOVIMENTO,
                          TEMPO,
                                         ESPAÇO,
TEU  CORPO,
                        TESO,
                                   PRESO,
RI  SOBEJAMENTE
                                  COMO  CAVEIRA.
BESTEIRA
                  PRESA  NA  GARGANTA,
CRIANÇA
                  PERDIDA.

MOVIMENTO,
                          TEMPO,
                                        ESPAÇO,
RI  O  PALHAÇO
                              DA  PIADA  CONTADA
PELO  TRAPEZISTA
                                   SOBRE  A  MULHER  DO  GUARDA
VIGIA  DAS  PORTAS  DA  VIDA.

(SORRO).

TITULO:TAIWAN
DISTANTE  MUITAS  MILHAS  DE  CASA
ESCREVO
SOBRE  NOVOS  HORIZONTES  E  MONTANHAS 
COM  NUVENS  SALPICADAS
SOBRE  NOVOS  HORIZONTES  E  LUZES
QUE  NUNCA  SE  APAGAM
NAS  RUAS  E  CORAÇÕES DOS HOMENS 
ESCREVO
SOBRE  CRIANÇAS  RISONHAS,  SEM  FOME
BRINCANDO  EM  UM  PEQUENO  JARDIM
DIFÍCIL  COMPREENDER
QUANDO  O  BELO  NEM  SEMPRE  E’  BONITO
QUANDO  A  SORTE  SORRI  PARA  POUCOS
TÃO  LONGE,  EM  CASA.



SO  FAR,  TO  MUCH  MILES  FROM  HOME
I  WROTE
ABOUT  NEWS  HORIZONS  AND  HIGH  MOUNTAINS
CLOUDED
ABOUT  NEWS  HORIZONS  WHERE  LIGHTS
NEVER  TURN  OFF
ON  THE  STREETS  AND  THE  PERSON’S  HEARTS
I  WROTE
ABOUT  HAPPY  CHILDRENS  WITHOUT  HUNGRY
KIDDING  IN  A  LITTLE  GARDEN.
IT’S  SO  DIFICULT  UNDERSTAND
WHEN  THE  BEAUTY  ISN’T  BEAUTIFUL
WHEN  THE  LUCKY  LAUGHT  ONLY  FOR  SOMEONES
SO  FAR,  IN  HOME.

DATA:DEZ94.

TITULO:MUSICA  DE  PIANO.

A  PIANISTA  TOCA  EM  MARFIM
TOCA  MINHA  ALMA  BEM  FUNDO
COMO  UM  ABISMO
UM  JARDIM  VERDE  PERDIDO
LÁ  FORA,  OS  SONS  DA  CIDADE
LEMBRAM-ME  COISAS  DO  COTIDIANO
DO  OUTRO  LADO  DO  MUNDO
SOZINHO,  EM  OUTRO  PIANO  BAR.

PIANO  SONGS.

THE  PIANO  PLAYER  TOUCH  ON  YVORI
TOUCH  IN  MY  SOUL  DEEP
LIKE  A(N)  ABYSM
LIKE  A  LOST  GREEN  GARDEN
THERE,  OUTSIDE 
THE  CITIE’S  NOISE,  SO  HARD
REMEMBER  ME  THINGS  ABOUT  MY  OWN  LIFE
IN  OTHER  SIDE  OF  THE  WORLD
ALONE,  IN  ANOTHER  PIANO  BAR.           

DATA:DEZ94.





TITULO:CASTELOS  DE  AREIA.

TODOS  SONHAM  VIDAS
VIVEM  EM  CASTELOS  DE  AREIA
EM  TODO  LUGAR
AGORA  COISAS  ACONTECEM 
MUITO  RÁPIDO
QUANDO  VIDAS  VÃO  E  VEM
COMO  CASTELOS  DE  AREIA
COMO  ONDAS  CHEGANDO 
MUDANDO  FORMAS,  VIDAS
DESTRUINDO  HOMENS  DE  AREIA
COM  SEUS  CASTELOS.

SAND  CASTLES

SAND  CASTLES
EVERYONE  DREAM  AND  LIVE
IN  SAND  CASTLES  EVERYWHERE
NOW  THE  THINGS  HAPPEN 
VERY  FAST
WHEN  THE  LIFES  COME  AND  GO
LIKE  SAND  CASTLES
LIKE  WAVES  COMING
CHANGING  FORMS,  LIVES
PUT  DOWN  SANDMEN
AND  YOUR  CASTLES. 

URBANA  NOITE.

SEDUÇÃO,  REPRESSÃO,
PECADO  ORIGINAL
FLOR  DA  NUDEZ,  FRUTO  DO  MAL
ÁRVORE  CRUZ  CUJA  RAIZ
PENETRA  NO  VENTRE  DA  NOITE.
CADA  BARULHO  (RUÍDO)
CADA  SILÊNCIO   PARTIDO
LEMBRA  (RECORDA)
UM  PASSO  ESTENDIDO,
TEMORES,  LUGARES  ESCUROS
OBSCUROS  FINS,  ESTAS  MENTES
ESCONDERIJOS  DE  ALMAS
ESPÍRITOS  QUE  NUNCA 
ENCONTRARAM  A  LUZ.

TERRORES  EM  TERRENOS  BALDIOS
RISOS  NOS  BARES
MÚSICAS,  DANÇAS,
CHOROS  DE  CRIANÇA,
SANGUE  NO  ASFALTO
NOSSA  IMAGINAÇÃO  LEVA  AO  SONHO
SEM  ADITIVOS  OU  ANALGÉSICOS
DAS  DORES  E  FLORES
QUE  SOFREM  O  MUNDO
ENQUANTO  O  TEMPO  NÃO  DORME.
NEM  DESCANSA.

SÓ  A  SAUDADE  PERMANECE
DOS  QUE  PARTIRAM.
SÓ  A  SOLIDÃO  ACOMPANHA
O  VAGABUNDO  QUE  SONHA
COM  SEUS  REINOS  PERDIDOS.
SÓ  A  NOITE  ACOMPANHA
OS  DEVANEIOS  DO  LOUCO.
CAVALEIRO  DE  NUVENS,
DONO  DOS  QUATRO  VENTOS.
QUANDO  DESPERTO
LUTO  CONTRA  MEUS  DELÍRIOS
SERVO  DA  CONSCIÊNCIA
QUE  CEGA,  APRISIONA.

PURGATÓRIO.

CONTINUARÃO  OS  ESPECTROS  NO  LIMBO
ESFACELADOS,  MUTILADOS,  TRUCIDADOS,
JUNTOS  AOS  CAMPOS  DE  BATALHA  DESTE  MUNDO
IMPLORANDO  NUM  CHORO  MÍSTICO
PELO  FIM  DAS  GUERRAS  INGLÓRIAS.

ENQUANTO  SOAR  O  FOGO  DA  METRALHA
E  SERES  INOCENTES  PAGAREM  COM  SUAS  VIDAS
OS  ERROS  DOS  PODEROSOS
CONTINUARÃO  SEUS  ESPECTROS  NO  LIMBO
AGUARDANDO  O  SINAL  DOS  TEMPOS
O  SOM  DAS  TROMBETAS  DOS  QUATRO  ANJOS
LEMBRANDO  ESTAS  ALMAS  SEM  PÁTRIA.

CONTINUARÃO  SEUS  CORPOS  INSEPULTOS
ERGUERÃO  DA  TERRA  RASA  SUAS  CARCAÇAS
VÍTIMAS  DESCARNADAS  PELO  TEMPO
APONTANDO  AOS  HOMENS  DESTE  MUNDO
CLAMANDO,  PEDINDO  EM  AGONIA  ETERNA
A  JUSTIÇA  QUE  ILUMINA  E  AGASALHA.

ENQUANTO  NO  CAMPO  DE  BATALHA
TOMBAR  MAIS  UM  JOVEM  SEM  VIDA
CONTINUARÃO  ESTES  ESPECTROS  NO  LIMBO
DESFILANDO  SEUS  CORPOS  E  MORTALHAS.

ENQUANTO  O  INFERNO  FOR  VIZINHO
COM  SEUS  GASES  ATÔMICOS  E  GRANADAS
CONTINUARÃO  OS  ESPECTROS  NO  LIMBO,
ATÉ  O  DIA  DO  ÚLTIMO   JUÍZO.

CIDADELA.

CEGOS
TATEIAM  NOSSOS  PASSOS
NA  ESCURIDÃO  DO  CONHECIMENTO.
SURDOS
PELOS  SONS  DAS  BUZINAS,
CLARINS  E  TAMBORES,
MARCHA  INEXORÁVEL
O  EXÉRCITO  DA  CIVILIZAÇÃO.
MUDOS,
ESTUPEFATOS,  JÁ  NÃO  GRITAMOS
AO  SENTIR  O  AÇOITE  DE  NOSSO  FEITOR
QUE  COMODAMENTE  SENTA
SOBRE  OS  MORTOS  E  OSSOS
MATÉRIA  PRIMA  DESTE  MURO
QUE  SEPARA  AS  ALMAS  E  OS  CORPOS.

FUTURAMA.

SENTINDO  A  LUZ  DO  MEIO  DIA
TOCAR  SEU  CORPO  NA  VARANDA
ESTE  CORPO  VELHO  E  CANSADO
DE  TANTO  USO,  NECESSITANDO  CONSERTO.

O  JORNAL  CAÍDO  NO  CHÃO
A  FALTA  DE  VISÃO  DO  MUNDO
QUE  JÁ  NÃO  ENTENDE,  MAS  APRENDEU  ACEITAR

AS  RUGAS  DA  FACE,  SEU  CABELO  GRISALHO
REFLETINDO  O  SOL
COMO  A  NEVE  DE  MONTANHAS  DISTANTES.

ERA  UM  HOMEM  ANTIGO,
CHORAVA,  PENSAVA  E  RIA
COMO  ANTIGAMENTE.

AS  PESSOAS  A  VOLTA  ANDAVAM,
CORRIAM  SEM  PRESTAR-LHE  ATENÇÃO.
ERA  A  NOVA  GERAÇÃO
QUE  NÃO  SOFRIA,  CHORAVA  OU  SONHAVA
ERA  O  NOVO  MUNDO
QUE  NÃO  PENSAVA,  SÓ  CHEIRAVA  FUMAÇA
COMIA,  SE  VESTIA,
E  CONSUMIA,  CONSUMIA.
ERA  O  AÇO  NA  RUA
AS  CONSTRUÇÕES  ESPREMENDO
A  PEQUENA  CASA
DO  VELHO  TÃO  FORA  DE  MODA.

O  SOL  ESPREITAVA  O  NOVO  MUNDO
LARGAVA  SEU  CALOR  COMO  PODIA
ATRÁS  DAS  FUMAÇAS  DAS  FÁBRICAS,
DOS  ALTOS  EDIFÍCIOS
MAS  ISTO  SÓ  O  VELHO  VIA.

ACABOU  MAIS  UM  MEIO  DIA.

PAIXÃO  ANTIGA.

SE  PUDESSES  MEU  CORAÇÃO  SENTIR
SENTIRIAS  NESTE  PULSAR  CONSTANTE
UMA  RAZÃO  APARENTE
PARA  CADA  INSTANTE  DO  MEU  VIVER
SE  TIVESSES  CORAGEM  DE  AMAR  UM  LOUCO
TRISTE  POETA
NA  CERTA  RIRIAM  DE  TUA  OUSADIA;
TERIAM  PREMISSAS  DIVERSAS
PARA  AFASTAR  DE  MIM, TEU  CALOR
POIS  É  FÁCIL  SER  DO  POETA,  CRÍTICO,
MAS  DIFÍCIL  NO  CORAÇÃO
MANTER  NOSSO  AMOR.




ESGOTO

MARTINHO  LOUCO
SAIU  DE  SEU  LAR,
UM  OCO  CANO  DE  ESGOTO
LEMBROU  SEU  TORTO 
JEITO  DE  LOUCO,
SENTADO  NA  PORTA
CHEIRANDO  A  ESGOTO
FUMOU  O  QUE  TINHA,  CURTINDO,
OLHANDO  AQUELE  CARTAZ
DO  SOUTIEN  DA  MULHER  CAPAZ
SEGUIU  DALI  PARA  UM  BAR,
ESPERANDO  A  VISÃO  ESQUECER.
MARTINHO,  DOIDO
NEM  TINHA  ESCRÚPULOS,
POIS  MORAVA  NUM  ESGOTO,
E  QUEM  APRENDE  ASSIM  VIVER,
QUE  ESPERA  DA  VIDA?
SÓ  A  MORTE  ACONTECER.

BABY

LUA,  LUA,  LUA,
EU  ME  PERDENDO  EM  TEU  CORPO
NESTA  RUA
UM  HOMEM  VELHO  PASSA
E  REPROVA  O  AMOR
UM  RISO,  UMA  BUZINA
MEU  CORAÇÃO  SE  AGITA,
PERDIDO, BEIJO  VOCÊ
MAIS  UMA  VEZ
RINDO  DA  BELEZA  DA  LUA.

MURO  DE  QUARTEL - 1980.

LÁ  VÃO  OS  SOLDADOS!
VÃO  MARCHANDO  PARA  A  GUERRA  FRIA,
OBEDECENDO  CEGAMENTE  AO  GENERAL
CHEIO  DE  ESTRELAS  ROUBADAS  DO  CÉU
POBRES  MEDALHAS.

LÁ  VÃO  OS  SOLDADOS!
VÃO  MARCHANDO,  SEM  FAZER  PERGUNTAS
PRENDENDO,  MATANDO  O  POVO
QUE  PAGA  SEU  SOLDO
E  MORRE  PELAS  SUAS  METRALHAS.

LÁ  VÃO  OS  SOLDADOS!
VÃO  MARCHANDO  PELA  AVENIDA
SEUS  UNIFORMES  VERDES,  A  COR  DA  VIDA,
VÃO  SEMEANDO  A  MORTE.
O  POVO  JÁ  NÃO  APLAUDE
CANSOU  DE  TECER  MORTALHAS.

LÁ  VÃO  OS  SOLDADOS!
POBRES  FILHOS  DO  POVO
QUE  TROCAM  SUAS  VIDAS  POR  SEUS  GENERAIS
ESQUECEM  QUE  NASCERAM  DE  TÃO  VIL  GENTALHA

LÁ  VÃO  OS  SOLDADOS,  CEGOS
MARCHANDO  PARA  SUA  ULTIMA  BATALHA.

MALDITO.

MAL  CHEIRO  IMPREGNA  O  AMBIENTE
MAL  HUMOR  FUNDE  O  CONSCIENTE
MAL  OLHADO,  MAGIA  NEGRA,
MÍSTICA  FORMA  DAS  LUTAS  SOCIAIS
O  MALDITO  NÃO  SEGUE  NORMAS, NEM  SINAIS.

DESBUNDE  DO  DEBUT.

A  ALEGRIA  GRITA  NA  BEBIDA  SEM  MEDIDA
O  TOCA  DISCOS  GIRA  E  IRRITA
COM  A  CANÇÃO  DO  MOMENTO
A  GURIZADA  DANÇA,  GIRA,
PIRA  EM  CIMA  E  ENCHE  A  PANÇA.

DESCE  O  PANO.

SOMOS  ETERNOS, 
INTRANQÜILOS  TROVADORES,
ARTISTAS  VINDOS  DO  SEIO  DO  POVO
SEIVA  BRUTA,  DIAMANTE  PURO,
COMO  ESCRAVOS  VENDIDOS  EM  PRAÇA  PÚBLICA
DAS  MULTIDÕES, MILHÕES  OU  TOSTÕES  SÃO  ATIRADOS
NO  FIM  DE  CADA  ESPETÁCULO.

LUZES  DA  VARANDA
NO  SOBRADO  DA  ESQUINA
CHEIROS  DE  CANTINA,
MÚSICAS  FESTIVAS  CHEGAM
TRANSBORDANDO  DAS  JANELAS,
VITRAIS  MULTICOLORIDOS.
FELICIDADE,  GRITOS
DE  TROVADORES  EMBRIAGADOS
PELO  VINHO  DE  SUAS  CANTIGAS
ACORDES  DISSONANTES  DE  VIOLAS,
VOZES  CHEIAS  DE  VIDA,
A  FESTA  SE  ARRASTA  NOITE  A  DENTRO
SEMPRE  COLORIDA
MESMO  QUANDO  CHEGA  A  POLÍCIA
OU  A  MADRUGADA  VADIA.

RIO  DE  JANEIRO - 1980.

RELEMBRAR  QUANDO  TE  VI  NUM  INSTANTE
COMO  RELEVANTE  SER  DOS  CUMES  MAL  VISTOS
SER  ABOMINÁVEL  EM  SUA  BELEZA
FORMA  INTRIGANTE,  CHEIA  DE  MAJESTADE
SIMPLES  EXPRESSÃO  DE  UM  SER
COM  BELOS  RÓTULOS  E  LINDAS  FORMAS
MAS  PODRE  NA  ESSÊNCIA.

OS  FILHOS  DO  POVO - 1980.

LONGE  VÃO  MEUS  ANOS
DE  PANDORGA  E  PIÃO
HOJE  VÃO  MEUS  FILHOS
CEDO  PARA  A  LUTA
COMO  HINOS  CANTAM
CANÇÕES  DOS  CABARÉS
MARCHAM  COMO  PODEM
CALÇADOS  OU  DESCALÇOS
SEM  MEDALHAS,  NEM  A  RAÇÃO  DO  PRATO
LONGE  VÃO  MEUS  ANOS
HOJE  VÃO  CEDO  PARA  LUTA
MEUS  FILHOS
CANTANDO  HINOS  DE  LOUVOR
AS  DAMAS  DA  NOITE
PESSOAS  QUE  ROUBAM,
OS  FRIOS  DOS  CORPOS  SOLITÁRIOS,
O  VAZIO  DOS  AMORES  PERDIDOS.

GOTAS  DE  SUOR.

CASAS  DE  AMOR,  CORES,  FORMAS,  SOM  E  DOR
LUZES  DE  SINAIS,  BARES,  JOGOS  DE  AZAR,
RISOS  NAS  CANTINAS,  GARRAFAS  VAZIAS,
PESSOAS  CAÍDAS  EM  EMBRIAGUEZ  TOTAL.
CALOR,  GOTAS  DE  SUOR  DO  POVO,
GOTAS  DE  AMOR  DE  DOIS  AMANTES  EM  ALGUM  HOTEL.

FLORES  NA  PAREDE,  DESBOTADA  PINTURA
UMA  CORTINA  RASGADA  DEIXA  PASSAR
A  LUZ  DO  SINAL  DOS  TEMPOS.
BEBA  PEPSI,  DIZ  O  CARTAZ  LUMINOSO,
ABRIGO  TEMPORÁRIO  DE  UM  BÊBADO  VAGABUNDO
PERDIDO  EM  SONHOS,  PARAÍSO  PARA  OS  QUE  NADA  TEM.
SINAL  VERMELHO  NA  AVENIDA,  GRITOS  DE  HORROR,
BARULHO  DE  OSSOS  QUEBRADOS,  SANGUE  MANCHA  O  ASFALTO
SILÊNCIO   DE  UM  CORPO  DILACERADO.
UMA  CANÇÃO  OUVIDA  PERDIDA  NA  NOITE
DE  UM  VELHO  POETA  ATEU
FALANDO  DO  NOVO  CRISTO
NASCIDO  EM  ALGUMA  FAVELA
DE  UMA  CRUZ  JOGADA  A  FOGUEIRA.
A  CHUVA  CAI,  LAVANDO  AS  RUAS,
AS  PESSOAS,  OS  EDIFÍCIOS.
SUAS  GOTAS  SÃO  COMO  O  SUOR  DO  POVO,
DO  AMOR  DE  DOIS  AMANTES  EM  UM  QUARTO  ESCURO.
TODOS  VÃO  CORRENDO,  FUGINDO  DA  CHUVA
NESTA  NOITE  MISTERIOSA.
O  SILENCIO  DA  MADRUGADA  FAZ  SENTIR-SE
APENAS  INTERROMPIDO  PELA  CANÇÃO
DO  POETA  SEM  LAR.

AUTOCRÍTICA.

CADA  SER,  COM  SEU  PERFEITO  ESTADO  DE  REFLEXÃO,
ABRIGA  UM  MENDIGO,  FRUTO  APODRECIDO
DA  SOCIEDADE  HUMANA,  DA  MORTE  INSTANTÂNEA,
DO  CRÉDITO  IMEDIATO,  DA  FOME  A  VISTA,
MÊS  QUE  VEM  EU  PAGO  A  ÚLTIMA.
CADA  UM  COM  SEU  PEDAÇO  DE  MATÉRIA,
AMADA  MATÉRIA  PRIMA.
CADA  SER  TROCANDO  CRÉDITOS  PELA  EFICIÊNCIA  DO  QUE?



COISAS  DA  PRIMAVERA.

LEVE  COMO  ESPUMA  DO  MAR
UM  OLHAR,  UM  SORRISO,
TRÁS  NO  PENSAMENTO  O  PARAÍSO
CHEIO  DE  LINDAS  FORMAS  E  CÔRES.
É  O  AMOR  NA  SUA  ESSÊNCIA  MAIS  PURA,
A  PROCURA  DE  AMAR.
ESQUECEMOS  DAS  CONSTRUÇÕES,  FRIO  CONCRETO
GELA  O  CORAÇÃO  DOS  AMANTES
QUE  PODEM  SER  REIS  OU  RETIRANTES
VESTEM  TRAPOS  OU  GRINALDAS,
AMAM  EM  SUÍTES  OU  PORÕES
CHEIOS  DE  PAIXÃO  E  ESQUECIMENTO
DAS  QUESTÕES  SOCIAIS.

FLORA  LOURA  PRIMAVERA
SARA,  DORA,  LIZA,
A  TODAS  A  CERTEZA  DOS  AMORES  ETERNOS,
OS  BEIJOS  ROUBADOS  NAS  RAVINAS.
COM  DOLORES  E  MARIAS,  AMORES  PERDIDOS.
JOANAS,  JANUÁRIAS,  GURIAS  RISONHAS,
AMORES  ADOLESCENTES  ESCONDIDOS.
NAS  PORTAS,  NOS  TERRENOS  BALDIOS  DAS  CASAS  VAZIAS.
MARGARIDAS  E  ROSAS  NAS  ESQUINAS,
AMORES  COMPRADOS  POR  MIGALHAS,
ARRANCADAS  DO  JARDIM  DA  INOCÊNCIA,
DEITADAS  NAS  GRAMAS  DOS  MATOS,
NAS  CAMAS,  NOS  QUARTOS,
EM  PALÁCIOS  OU  BARRACOS.

O  OCASO  DOS  DEUSES.

O  CALOR  DESVANECE  NO  FIM  DA  TARDE
ENTRE  OS  ÚLTIMOS  RAIOS/SUSPIROS  DO  SOL
ENTRE  AS  FOLHAS  DESTE  LIVRO  DE  RABISCOS
RETRATOS  FALADOS  DA  VIDA  DE  TODOS  NÓS.
SOMOS  TODOS  ESCRAVOS  DAS  LETRAS  E  NÚMEROS
INCAPAZES  DE  COMPREENDER  O  INFINITO  UNIVERSO
DE  SENTIR  AS  ONDAS  PERDIDAS  DO  TEMPO
VELHOS  GRITOS  ANCESTRAIS,
APELOS  DE  MIL  GUERRAS
TRAVADAS  EM  TODOS  OS  CAMPOS  DE  BATALHA
DA  TERRA.
O  SOL  TINGE  DE  VERMELHO  O  OCASO
DO  SANGUE  DOS  GIGANTES,  DUENDES  E  GENERAIS,
DA  MORTE  DE  TODOS  OS  CARRASCOS,
DOS  ESQUADRÕES,  DOS  GENERAIS,
O  FIM  DOS  POETAS  SOCIAIS.

A  ORIGEM  DO  ESPAÇO  E  CORPO.- 1980.

ESPAÇO  FRIO,  POBRE  PENSAMENTO
DE  REPENTE  SURGIU
NO  GRANDE,  INFINITO  ATÉ,  ESPAÇO  VAZIO.
SÓZINHO  E  COM  MEDO
AQUELE  PENSAMENTO  EXISTIU
E  NUM  INSTANTE
O  UNIVERSO  SURGIU !
COM  APENAS  UM  PENSAMENTO
A  LUZ  SE  FEZ  NO  VAZIO
ENERGIA  BROTOU,  O  SER  INCHOU
FRAGMENTOU-SE  EM  PEDAÇOS
SEPAROU-SE  EM  NOVAS  FORMAS,
MUNDOS  E  SERES.
MAS  CONTINUOU  SÓ  E  PERDIDO
NO  MEIO  DA  MULTIDÃO,  POLUIÇÃO  ATUAL
UM  PENSAMENTO  PERDIDO,
REFLEXÃO  DA  NOSSA  EXISTÊNCIA
VIDA  PRESENTE,
POIS  O  PASSADO  PASSOU  NESTE  MOMENTO
GUARDADO  NO  TEU  PENSAMENTO.

IRÔNICA  VIDA.

NA  CERTEZA  DE  UM  LANCE  MAIOR
A  DOR  DE  PERCEBER
ESCONDE  A  VERDADE  A  CADA  INSTANTE
EM  TODO  O  LUGAR
COM  TODO  VERSO  CALADO  EM  NOSSAS  BOCAS
SOMOS  CAMINHANTES  POR  ROTAS  DESCONHECIDAS
CAMINHOS,  NOSSAS  VIDAS,
LEVANDO  O  SER 
DIANTE  DO  OLHO  ETERNO  DO  CRIADOR  PREPOTENTE.

ILUSÃO.

Quando  perdi  teu  momento
tempo - espaço
sem  teu  sorriso
não  sinto  mais  tuas  formas
embaixo  dos   meus  cobertores
na  noite  fria.
O  vazio  da  ausência 
queima  a  alma
como  um  bolero  sofrido
tocado  continuamente
onde  cada  palavra  dita,
os  risos,  as  brigas
são  lembradas  como  doce
triste  melodia.
Quando  perdi  teu  momento
tempo - espaço
senti-me  cansado  com  a vida
zumbi  que  caminha
por  túneis  de  metro,
lê  jornais,  come  e  fuma
levando  cada  dia  vazio
como  lepra  que  espalha  na  alma
Quando  teu  momento  perdi
minha  ilusão  caiu
como  folha  morta  de  outuno
esperando  nova  primavera.

Logo  de  manhã
acordei  sózinho
no  meu  quarto/  ninho  protetor
lembro  teu  carinho 
tocando  meu  corpo
fazendo  do  louco
um  torto  livro  de  estórias
Nessa  vida  de  espinhos
o  amor  dói  no  peito
mesmo  assim  esqueço  teu  nome
pois  viver  lembrando
mata  o  viajeiro,
sombras  crescem  na  alma.

RIO.

SENTIMENTO  PERENE  PERDE-SE
COMO  O  TEMPO  SE  ESVAI  NA  AMPULHETA
VELHA  LETRA  DE  SAMBA,  FALANDO  DE  MARIA
A  DIVA,  DEUSA  DO  BARRACÃO
OU  DE  UM  PALÁCIO,  UMA  PRINCESA
MALDOSA  CRIANÇA,  NÃO  AMOU
E  COM  CERTEZA  NEM  SINCERA  FOI
NA  RIQUEZA  DE  SUAS  VESTES  OU  DESNUDA
SONHOS  NUNCA  ESQUECIDOS
NA  RUA  ESCREVO  VERSOS
PARA  PASSAR  O  TEMPO
ENGANAR  A  VIDA.

CAFÉ  DE  PARIS.

TEU  PASSADO  ME  ENGANA
CONFORME  EU  LEIO
TEU  NOME  ESCRITO  EM  MINHA  CAMA
TUA  BELEZA  ME  TENTA
ENQUANTO  FALO  COISAS  MUNDANAS,
MALUCAS,  IMPERFEITAS.
DISCURSO  MINHA  VIDA
SENTADO  NO  BAR
ENGANANDO  O  TEMPO
QUE  CONTINUA  A  PASSAR.
SEDENTO,  ESPERO  TEU  BEIJO
COMO  PRÊMIO
DE  BOM  COMPORTAMENTO.  (97/98)

MEIO  DIA.

O  SOL
FORÇA  TOTAL
QUENTE  FERRO  QUE  MARCA
QUEIMA  COMO  GARRA
NOSSA  FRONTE.
NUVEM  TENUE,
O  ASTRO  ESCONDE,
PERENE,  FINA,  TRANSLÚCIDA,
PASSANTE.

OSSOS  DO  BAÚ

CEROULAS,  CESTAS  DE  FRUTA
CHAPÉUS  PENDURADOS  EM  GANCHOS,
GAIOLAS  DE  AVES  SOTURNAS,
BOTAS  BICOLORES,  FLÔRES  DE  PLÁSTICO,
RETRATOS  COLORIDOS,  Pingüins  DE  GELADEIRA,
QUADRO  DE  SÃO  JORGE,  BANDEIRA  DO  DIVINO,
TUDO  PERDIDO  EM  VELHOS  BAÚS
EM  SOTÃOS  ABANDONADOS,
OSSOS  VELHOS  DA  MEMÓRIA,  SEM  VOLTA.

VIDA (40 AN0S)

Doce  vida,  divina
carregada  nas  pétalas
de  sonhos,  arrastadas
pelo  dilúvio  de  Éolo
vendaval  do  meu  pensar.

Flor  deflorada
de  mil  sonhos
arrastada,  levada
pelas  correntes  de  ar
deposita  pétalas
sobre  ruínas  do  passado,
brota,  vivifica,  lança  novas  raízes
num  jardim  misterioso,  inescrutável,
desbravado  por  mim
explorador  de  continentes  perdidos
no  fundo  de  copos  desvanecidos
cheios  de  essências, e espíritos.
Em  meio  as  flores  do  jardim
lôbos  uivam  para  a  lua.
(98/99).


Hormônios.

Ah!  Estes  animalzinhos  travessos,
zombam  dos  espíritos,
riem  das  boas  intenções,
mexem  com  nossas  entranhas
nos  mais  diversos  momentos
em  lugares  imprórios
ou  tão  próprios  que  arrastam
arrasam  reputações.

Ficam  sussurrando  mensagens  eróticas
aos  nossos  ouvidos, 
incitando  com  vontades  loucas,  soltas,
suores  frios,
numa  linda  noite  de  verão.

Como  crianças,
sob  seu  efeito  inebriante,
dançamos  pelas  ruas,
gritamos  paixões,
acionadas  por  moléculas
despudoradas, 
nesta  mente  cativa
humores,  odores,  gôzos,
prazer  profundo
servindo  ao  espírito
verdadeiro  banquete  de  sonho
sopro  divino. (98/99) 

Lembranças.

Lembro,
lindos  lenços  de  linho
a Tia Cota, o tricô, a linha,
o  toque  da  máquina  de  costura,
meu  esconderijo  de  criança, 
castelo  de  fantasia,
onde  me  escondia
nas  brincadeiras  de  infância.

Pipoca  estourando,  cheiro  de  feijoada,
doce  de  côco,  ambrosia  da  avó,
andorinha  que  voa  na  janela,
borboleta  amarela,  e  pintinhos
seguindo  a  galinha.
Eu  lembro  ainda.

Bola  de  gude  no  canteiro  da  rua,
bicicleta  com  rodinha,  band  aid
na  ferida  da  rodilha,  chupeta  “perdida”,
mão  que  acaricia,  visita  de  médico  e
botina  nova,  como  era  prosa  minha 
prima,  lembro  bem  ainda.

Como  era  feliz  a  criança
quando  ainda  era  criança
que  pena,  a  vida  passa  voando
em  garuda,  ave  divina
só  fica  a  lembrança. (98/99).

PAULICÉIA.

Chuva  cai  dormente,
lenta,  recalcitrante,
escorre  pelas  calhas
molha  as  ruas
cresce  as  plantas.

Abrigo  solitário
concha, pétala,
fico  estendido
entre  lençóis,
escutando  o  barulhar
lodoso
da  chuva  que  cai.

Somos  água  impura,
universo  líquido
que  desmancha
essência  que  esvai
como  a  chuva
correndo  seu  tempo.

Neste  fluxo  constante
cada  gôta  de  vida
difere da  outra,
vibra,  escorre 
na  fôlha  revigorada. (fev. 99)








                                                                       X2.

                                               NA  CELA  NÃO  ENTRAVA  SOL  NEM  DÓ.
                                               SÓ 15 PRESOS SEM  RITMO,  RIMA  OU  HARMONIA
                                               CANTAVAM  UMA  ORAÇÃO
                                               PARA  A  PROFUNDA  PAREDE  FRIA. (1999/2000)




                                                                       TAO.

                                  
                                               QUANDO  A NOITE  DESCE 
SOBRE  A  CIDADE  MODERNA
PENSO  NA  TUA  VIDA,
PENSO  NA  NOSSA  TEIA
DE  AMORES, DORES  E  FERAS.

SOMOS  IGUAIS  NAS  DIFERENÇAS
DIFRENTES  NAS  SEMELHANÇAS
SOMOS  HOMENS  E  MULHERES
EM  BUSCA  DE  CERTEZAS  E  SEGURANÇA 
QUE NUNCA ENCONTRAMOS
NA  NATUREZA  HUMANA.

ÁGUA  FLUI,  DESCE  O  MONTE
ATÉ  O  VALE DISTANTE
BUSCA  SEU  CAMINHO,
ENTRE  PEDRAS  E  LAMA
DESCE  COMO  UMA  DAMA
EM  SEU  VÉU  BRANCO DE ESPUMA,
INTEIRA,  SEM  LIMITES
ATÉ  O  GRANDE  OCEANO  PROFUNDO.       (ABRIL2000)









ADEUS.

QUANDO  PERDI  TEU  MOMENTO
TEMPO
           ESPAÇO

VAGUEI  SEM  RUMO  PELOS  CAMINHOS,
CHOREI,  COMO  SEMPRE,  SÓZINHO,
SEM  ALGUM  CONSOLO  OU  CARÍCIA.

QUANDO  PERDI  TEU MOMENTO,
TEMPO,
           ESPAÇO
NAUFRAGO  DAS  HORAS  NOTURNAS,
VAGUEI  POR  BARES,  CAFÉS,  CANTINAS,
SORVENDO  MINHA  MÁGOA
           DOSES  DE  AMARGURA...(JUN99)


                                                                                             SILVIA.

                                  
                                               SILVIA SIBILINA, A NINFA
                                               VAGUEIA ENTRE OS BOSQUES DE CRETA
                                                CAÇADORA, PRESCRUTA ENTRE AS FOLHAGENS
                                               A PRÓXIMA VÍTIMA DE SUA BELEZA.

                                               SILVIA, A SIBILA
                                               TUDO SABE SOBRE PASSADO E FUTURO
                                               POIS CATIVOU SEU MANCEBO
                                               SEM UM TIRO DE DARDO SEQUER.

                                               SILVIA A NINFA SIBILA
                                               ATÉ DE SELENE TEM CIÚMES
                                                DESDE QUE SEU AMANTE
                                               MIROU-SE NO ESPELHO DA NOITE
                                               A SIBILA OLHA A LUA
                                               COM OUTROS OLHOS.

                                              





                                                           MEGIDO

Mais uma guerra suja
no telejornal desta semana.
Ganha ou perde
uma cidade do distante Oriente.
Parecem as imagens
um irreal e velho filme.
A distancia corrompe
nossos sentidos,
pois não podemos escutar
os gritos dos inválidos,
o choro dos aflitos. 





Condução. (Na parada do Onibus)

Conduz imperiosa a ação coletiva
Como Vimana, ave Garuda
Leva almas aos seus destinos
Elétrons fluindo, partículas catódicas
Polarizada corrente contínua
Ordem divina obedecida pelos entes
Vai e vem eterno,
jornada de pura energia
Que se ilude perene.


Coletive Ways (Writing in a bus stop)

Drive the coletive action by the power
Like a Vimana, a God’s bird
Carry souls to yours destinations
Elétrons flouwing, catodic’s parcels
Polarized direct current

Godness rule followed by the angels

Eternal go and come

Pure energy trekking
They only think about yours short lives 

Escandida Lua
Na sinfonia do Universo
Infinita dança das esferas
Olha com desprezo a Terra
Com seus sons confusos
(De dores e guerras)
Não ouvem os deuses tuas suplicas
Ao tormento crescente das naves e
conquistadores
Que pretendem do Universo
se fazerem donos
Sente teu corpo banhado
Pelo Sol da tarde eterna
E repugna tão minúsculos seres
Que se pensam deuses, 
Mas são apenas sonhos...


A MOIRA 50 ANOS

Ela é uma velha senil
bruxa que se arrasta
moira que tece os fios
e corta suas extremidades
exímia e experiente.

Sentimos seu bafo negro
escuro destino de abismo
que só a fé ameniza.

Pobre da alma que não acredita
e chega na vida neste capítulo
pois o corpo mortal vacila
e a voz já não sai sem esforço
após íngreme subida.

Felicidade é ausencia de desejo
é cheirar a flor que brota
é abraçar o filho que retorna
é amar e fazer amor de madrugada
é beber a fonte da sabedoria

Errar é vagar sem destino
ficar perdido pelos caminhos da vida
mas são poucos aqueles que podem errar muito.



Palimpsesto

Cem folhas do meu pranto
que se esconde na forma
de líbelo ainda não escrito
serve a um cativo sonho
ainda não realizado
como criança pequena
carente, que habita 
no esgoto da alma.

Entre livros empoeirados
de uma estante perdida
cada capítulo da vida
aventura da alma 
sorvida pelo fétido canal
que leva esse graveto
menino perdido
alma submersa 
para o profundo oceano