segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A Fabula da Ovelha em Pele de Lobo






Era uma vez
em tempo não muito distante
um rebanho de ovelhas
uma alcatéia de lobos
que na mesma pradaria
dividiam suas vidas
mas não era bem uma pradaria
mais parecia um sujo pantano
talvez uma charneca
se soubesse o autor
o que de fato isto significa
enquanto um bando fome passava
o outro sempre comia
enquanto um era faminto de grama
o outro carne fresca todo o dia
e assim conviviam
até chegarem a conclusão
que para organizar sua sina
um dia fariam uma eleição
Cada grupo seu candidato estabeleceu
mas logo a boataria
fez o bando de ovelhas duvidar
até mesmo da sua chefia
e os lobos assim venceram o pleito
com a ajuda de uma desgarrada ovelha
que das coisas de todos tudo conhecia
Quando acabou a eleição
e também sua serventia
no banquete da vitória foi devorada
sem nenhuma nostalgia


Moral da Estória: Todos sabem que ovelhas tem memória curta

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ilium Descarnada





A Cidadela Incendeia
Vetustos sacerdotes de negras togas
da Torre de Cristal semeiam e procriam
aos milhares
ratazanas besuntadas em óleo cru
e atiçam as tochas ardentes vivas
propagam ainda mais
o fogo no coração da urbe
Livre ave voa célere 
para longe das coisas dos homens
mas não há mais abrigo
em lugar algum
nem ilha ou oásis distante
não existem santuários
nem mesmo para os fantasmas
sem nome
com seus grilhões e torturas
que ainda vagam na casa dos mortos
suas lápides em branco
mesmo assim foram profanadas 
pelas ratazanas ardentes
para escárnio dos tolos
que dançam nus 
em meio a fogueira
Cego pelas chamas
surdo pelos gritos de morte
das bestas em seu estertor final
reconheço de antemão 
meu túmulo vazio
sombra de um passado
que nunca desejei
Nem Caim, Gengis Khan, Hitler
ou mesmo algum César
sanguinolento
poderiam causar mais dano 
ao mundo
que a fome bestial
da própria morte triunfante
daquele suicida de ideias
que pretende sufocar a si mesmo
e se afoga nas letras 
da própria verdade cotidiana
em meio a praça ardente
encarcerado entre medíocres, ímpios
e sátrapas cruéis
com seus estranhos ritos
e falsos deuses
Nem Baal, Moloch
ou algum deus Azteca
brindou tanto sangue
de jovens imberbes, donzelas
e crianças 
no holocausto diário das periferias
Após o assalto 
as naus de negras velas
içam mais uma vez suas flamulas 
insufladas por éolo
e levam para outras paragens
estes templários das trevas
em busca de mais vitimas...