domingo, 24 de janeiro de 2016
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Fome de Pedra
Caiu a ficha
Cedeu a caixa que apoiava a finta
Lata furada no fundo do esgoto
veio boiando na bosta viva
Peguei a danada e fiz a pita
acendi a pedra e queimei as tripas
Alucinei e deitei mole na pedra
Luz amarela surgiu do fundo
Subi a lomba e desci no muro
Cai sentado debaixo do entulho
É onde vivo ou quase consinto
colocar meu corpo no limbo
Perdi a coisa caiu do bolso
Olhei pro esgoto, pobre regaço
Cai em prantos e lambi os pratos
Veio nova a fome de pedra
O brilho num repente perdeu o lume
Nova carga exige a mente
num bagaço tornei-me
o fundo do buraco não acaba
o fundo do poço nunca finda
caiu mais uma vez a ficha...
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Revelações
Falsos Profetas anunciam dos altares nos Templos
É chegada a hora do Fim dos Tempos
Do arrebatamento dos “bons”
E a massa ignara apupa
Uiva sua torpeza
Lançando óbolos para os demônios
Que espreitam
Em seus olhares pútridos de crentes
Profecia auto imposta
Vermes comem as sobras da ceia
Entranhas dilaceradas da Mãe Gea
Mamal sem pelo / feto maduro
Escorre sua gosma
Brota eterno nascituro
E por onde lavra seu arado
A Mãe Terra é morta
Enquanto canta seus hinos ao Holocausto
Nas masmorras de concreto
Perdido em claustros
Lembrando as ricas eras
Areia fina escoa
Para o fundo da Ampulheta finda...
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
O TERROR...O TERROR...! (AYLAN)
O Terror...o Terror !
O frio mármore pontico das vagas
foi teu final acalanto
Sequer o terror e a morte
Por ti compadecidos permitiram
Que o tempo tresandasse maior
Ou muito longo mais fosse teu sofrimento
no último respiro exasperado
afogado nas profundezas do oceano
Braços perdidos da querida mãe ignorada
Que desceu contigo os abismos
Rogando a clemência das intempéries
Esse teu filho, pequena criança desterrada
De nossa humanidade perdida
espectadores
como somos todos
embrutecidos pela tela inodora
já não pranteamos sua perda
mas a nossa
Pois não foi dele a culpa da morte e do terror extremo
Mas fomos nós que perdemos nossa essência
Em algum momento
Com a imagem da pequena figura inerte
Jogada como um pet vazio numa praia
Barbarizada como coisa corriqueira
De um mundo superlotado
Nós falhamos em algum momento
E já não conseguimos mais resgatar nossa empatia
até quando distante ?
O Terror...o Terror !
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Meandros e Labirintos
Apura a noite dos tempos
Escriba eterno subjaz
Traça no sêmen a origem de cada vaso
Em letras fortes, arcaicas.
Caracteres de Sombras
No plano alvo grava o texto
Da nave central do templo
Na outra dimensão
Imagem inconclusiva
Onde a coisa é potencia ainda.
Dança do Tempo
Ritual além de nosso entendimento
O Campo Ancestral
Na forja incendeia
Bate candente o martelo ferreiro
Azáfama de Cabiros
Como chama astral pura
Derrama no molde a imagem bruta.
Do Abismo, além do Horizonte de Eventos
Ah, Esse Abismo!
Vislumbre de sonhos de ópio e éter
Estrela Negra, fulcro
Coroa de Poder de onde emerge
A energia que habita em cada forma
Ilude o teu corpo sensor
Enquanto desavisado desce a rua
E não percebe a luz da tela
E o maquinário que esconde a cena
Por trás do palco que finge labuta
A Vida
Como Abaixo
Também Acima.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Fenestras
Fenestras de Florença
Medievais toscanas
Ruas tortuosas e estreitas
Que passam por muitos países
Anciã do alto observa o movimento
Debruçada em sua almofada de brocados
A vida passa lá embaixo tempestuosa
Ventanas de Valência
Com floreiras vistosas
Parecem Buenos Aires
Com as mesmas rosas
Soltas no espaço
Da calle ancha
Windows, Wind holes
Línguas bárbaras
Em Los Angeles
Sentidos cheios de obviedades
Parece um cenário gasto
De um velho filme roto
Celulóide rolando solto no projetor 8 mm
Flap, flap, flap
Batem asas na janela
Soturna, vazia, oca
De uma casa abandonada
Até mesmo pelo abandono
sexta-feira, 27 de março de 2015
Parasita
pela flor que viceja na tormenta
da brecha viva
O alumiar da semente
Salto de gineceu fecundo
que aprisiona
Flor serpente que envenena
a calçada fria que te abriga
Aumenta a brecha diminuta
expande a fissura na pedra fria
Eu semeio o ato insuspeito
De mirar a flor que me aprisiona
Sou presa absoluta
nesse frio que se avizinha
predador astuto me persegue
É a besta fera que me acua
Sentença fria do juiz da morte
Dharma / Divina sentença
Que ceifa a flor que desabrocha
O Destino assim se perpetua
É futuro consumado no passado
Cristal quebrado / mala vazia na calçada
Com cada ato impensado
Que o porvir não regenera.
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