sábado, 15 de abril de 2017

Eu sou o Jaguar (Jauára ichê)




Sou o Jaguar
em terra de cego
que tem o olho
visão lunar 
noite viva penetrante 
que desvenda
a mata
bicho selvagem
que avoa num salto
arma bote certeiro
Malícia de fêmea
solta
Onça negra
- Não tenho dono
sussurra a danada 
ao meu ouvido 
baixinho
Não sou tamanduá
ou galo de capoeira
nem bugiu turmeiro
ou boi de criação
Eu sou a besta 
na alcova
bicho que se esconde
dilacera a carne
fresca.
presságio de mim mesmo
alma caçadora
em meio ao rebanho
que pasta mourejando
Do jaguar, o sonho
que se sonha só... 


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