domingo, 15 de novembro de 2020

Ensaio Poético sobre o Amor e o Poder





O amor que se ama

um dia desaparece para algum lugar

quando vai embora

O amor que se espelha no outro

ama até desaparecer para estranho nicho

suspenso no âmbar como mosquito

do Jurassic Park

O amor que se mira no outro

um dia some e fica congelado

como inseto suspenso no âmbar

O amor que se ama quando acaba

para onde vai?

Ele se esvai?

Ou fica suspenso como bicho

aprisionado no âmbar?


Os sacerdotes entoam seus cânticos

nos templos

ainda assim

seus deuses permanecem calados

silentes estatuas de pedra

celebram o festim

de suas vitimas imoladas

na falsa moral

do amor divino...

O AMOR não opera maquinas



sexta-feira, 16 de outubro de 2020

#FimdosTempos

 







Arde na Mata o ar que me falta!

Já não consigo respirar

o capital mata e asfixia

Morre no fogo a Deusa Viva

o fim da Mãe Natureza

Enquanto isso nos iludimos

durante toda a nossa

curta existência

estarmos cheios de coisa alguma

quando na verdade

Órfãos da deidade perdida

na própria vacuidade

estamos vazios de tudo

Somos amebas bípedes

em busca de satisfazer

nossas imediatas percepções sensoriais

Como mariposas em busca da luz

que nos incendeia

A nova geração da U.S. Robotics









segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Pandemonium





Arde na mata o ar que me falta

Já não consigo respirar

O Capital asfixia e mata


Corre Jaguar 

Foge Arara

Voa ave rara

para bem longe

do fogaréu 

que se alastra.

Morre Tatu Molita

Padece o Canastra

finda a mata

o deserto domina

o sol que mata

o homem que queima

e nada sobra

Seca o rio

Morre Jacaré

Some Capivara

Boto, Ariranha

Tamanduá Bandeira

Queima a Amazônia

Queima o Grã-Pará

Corre Lobo Guará

Se esconde Suçuarana

Silencia o canto

da Saracura

O homem queima e mata

O Bicho some

A Mata cala

A seca mata a bicharada

para sempre

sem volta

Seca a Mata Mãe

Seca o Mestre Rio

Seca a Vida por um fio

em todo o planeta...


   

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

ADEUS!




Adeus

Caso algo me ocorra

Não pensem os amigos que o destino

Me agonia

Não pretendo aborrecido paraíso 

Com casa assobradada 

e divina vista

do Onipotente  

Anjos sem sexo

E sem birita

Vou ser Luz distante 

Da forja prima

Ao final do túnel

Voltar a Fonte

Com certeza de missão

Cumprida

Beber cerveja no Valhala

Contar piada

Sobre a Existência

Verdadeira

Comédia humana

Onde todo homem prantea

A morte com antecedência

Enquanto esquece a vida 

e não entende que seu fim

ninguém avisa  


quinta-feira, 7 de maio de 2020

MINHA HERANÇA

UM LEGADO
É ALGO QUE RECEBEMOS DO PASSADO
NINGUÉM LEGA O FUTURO
A HERANÇA MAIS RICA
SE PERDE NA MÃO DO TOLO
NEM É PERCEBIDA PELO IGNORANTE
QUE SEU BRILHO TURVA
AMBOS PERDEM TUDO
NA FOGUEIRA DAS VAIDADES
PAIS RICOS, FILHOS NOBRES,
NETOS POBRES
VATICINA A POPULAR SABEDORIA
A VIDA É INDIVIDUA
SEM PECADO E NEM CULPA
O PRESENTE OCORRE
NO SEMPRE AGORA
E CADA UM CUIDA 
DE SUA CARROÇA DE PROVISÕES
NÃO SE HERDA O FUTURO
SE CONSTRÓI
COM CADA UNICA PEÇA
DE UM DIA BEM VIVIDO 
DO SEMPRE HOJE
O PASSADO SE PERDE
O FUTURO SE GANHA
NO CARA OU COROA
MAS É NECESSÁRIO PELO MENOS
UMA MOEDA PARA APOSTAR A SORTE
NÍQUEIS OS TOLOS PERDEM
TODOS OS DIAS...

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Samba do Amor Perdido

Nem adianta dizer 
que daquela vez
vc. não quis me magoar
Pois era vc. que sempre dizia
que nosso amor nunca ia se acabar
Mas mesmo assim terminou
com duras palavras e ingratidão
para aquele que sempre 
ao teu lado te deu a mão

Não pude mais te encontrar
sem sentir esta dor
que faz meu corpo tremer
que atravessa meu pobre coração

Já que não vou te esquecer
até um novo amor despertar
para curar a ferida que vc me deixou
Divina sentença decretou
nosso amor tem que para sempre
se acabar.


domingo, 21 de abril de 2019

1959





Sou aquele pregador que perdeu a fé
nos homens impolutos
monge que já não habita o mosteiro
Sou guerreiro fatalista
que afia o machado 
ante a derradeira batalha
contra a Legião invencível
Nem o perdão encontra abrigo
neste coração de pedra bruta
Sou chimpanzé dentro da jaula do circo
prescruto absorto o humano
que me observa do outro lado
Ainda conheço uns truques
dos tempos de picadeiro
Beber, fumar, comer
como gente 
aos comandos do mestre
até quando os anos permitam
Sou cavalo sem nome
perdido no meio do deserto
Sou ermitão que mira no horizonte
o ultimo raio de Sol
no pico adiante
que prenuncia a noite escura
Sou barqueiro
como Caronte
que no Estige
atravessa almas por moedas...