quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Inconsistência do Tao






Sentado em campo de pedra
sorvo o meu pranto contido
longe vida / idade
pureza vital
guardada em ânforas: 
Lacryma Christi
represada em vasos
de multiformes essências
folhas e cardos esvoaçam
ao vento quente dos idos de Fevereiro
não sei ao certo o que oprime meu peito

Trombetas distantes comandam a marcha
escondem assim os gritos inimagináveis
das vitimas imoladas no cepo
A procissão de archotes 
mais uma vez acontece
passos de ganso
ao som de hinos de guerra

Chuang Tzu (o mestre) escreveu:

"O Tao do Céu e o Tao da humanidade
são bem distantes um do outro"

"Ora, isso sim é algo que vale a pena
examinar"



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Teu Sorriso




Eu habito em teu sorriso
que o mundo ilumina
como velho lobo razinza,
predador faminto,
escondido na cova.
Necessito urgente do Oásis de teus 
olhos risonhos
para recompor o que resta de meus sonhos
e crer novamente na humanidade
finda.
Se pudesses ler meus pensamentos
a ternura que se esconde no meu peito
a dificuldade plena para expor
o mais doce sentimento
mas quando vejo teu sorriso
volta a esperança 
na bondade humana
sinto o amor que de ti emana
a felicidade plena
que me completa
a certeza da infinita presença
de minha alma gemea com a tua.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Apologia da Servidão Animal - Os Loucos Primatas e seus Fiéis Companheiros




Los perros ladram por la calle
para carroças vazias
Céleres correm pela grade
exercendo sua labuta 
com maestria
Não sabem os cavalos o que carregam
na suas carrocerias
Nem os cães percebem
qual é a serventia
de correr pela cerca todo o dia
Cansados, esperam ansiosos
afagos dos homens
que se acreditam seus donos.



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Epístola Sacra





Flor tensa envolve a Vulva Sagrada
de Samarcanda
No festival do Solstício
os sacerdotes carregam em procissão
pelas vielas 
a Vagina de Pedra
enquanto a choldra embevecida
admira a Imagem Encarnada
que sangra
Imaginam os fiéis 
que só assim
podem semear seus campos

Desmedida noite
geme meu corpo na cela
flagelo meus membros
com escaravelhos dourados
torturo minha própria carne
em ato de contrição
dor lancinante acomete
quando a chibata rasga 
a carne nua
Meus berros são preces
purificadoras
Na estreita ventana
penetra foice pálida
a Lua Nova

No reino dos crentes
as forças das sombras
perpetuam o esforço
de desvida
Como colunas 
suportam os fiéis 
a nave central do templo
da fé obstinada
Posto o rebanho
o bispo amola
as adagas do matadouro
e seus acólitos 
cercam as presas
enquanto dos tolos
jorram as dádivas
As crenças humanas são correntes
que aprisionam seus donos
para nunca mais... 

Na negação da Epifania
o pregador de Nietzsche
em seu "Zaratrusta"
prega a precariedade da matéria
como única forma Absoluta
Mas entende o Sábio 
que o Ser e o Não-Ser
que o Crer e o Não-Crer
são uma só e mesma coisa
para o crente e o ateu
a mesma radicalidade
que flui em águas sangrentas
fossas fundas de corpos sem nome
ao relento
despojados da própria
humanidade





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Brincando na Bola de Barro




Turbilhão sona
sem trono ou pressa
rasga a ventana
luz liquida 
que decai a tarde
Montanha
rocha dura é tragada
a metrópole invade
teu corpo dilacerado
devora o ventre verde
e o vento forte
cobra do homem
a proteção

Onde está Camelot
que abrigou Arthur e seus pares?
O palácio de Menphis
onde reinava Akhenaton
virou areia seu sonho
Até Atlântida das altas muralhas
o oceano tragou
nem um sinal restou
Quanto ainda vão perdurar
as novas torres da vaidade
dos homens 




sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela






Manda, manda, Mandela,
Mandiba de tanta paz
Quebrou a lança o velho guerreiro
virou estadista de homens
sem raça, côr ou conceito
que pudesse lhe governar
Ele foi um desses poucos
que de Aruanda se trás
que em vez do machado de guerra
trouxe a união ao seu povo
e entendimento
que a vingança assassina
compaixão contra o algoz
sabedoria que ilumina
e ao herói eterniza
Salve Mandela, Mandiba
Hoje Aruanda em festa
recebe tua alma vivaz


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Mundo e o Mago







Secundado no cortejo pelo Imperador 

Foi decretado como certo meu enforcamento 

Balançando no ramo torto do carvalho

Perdido como louco pelo Caminho

Como todo viajante sigo sózinho

Em direção ao abismo que se avizinha 

Enganando o Triunfo dessa verdade

Heremita da vida sigo sózinho 

A verdade nua que me rejeita 

Como primata solto sem o seu bando 

Sigo sózinho pelo Caminho

Meu ronco eu grito no desengano