domingo, 13 de março de 2016

O ENLOUQUECIDO





A VIDA É COMO LIVRE MANICÔMIO
PENSA O "NORMAL" EM SUA REDE DE INTRIGAS
O QUANTO FINGE NA EXISTÊNCIA A TOLERANCIA
AO PRÓXIMO CATIVO
E O SÁBIO REVOLUTEIA SUA DANÇA
COMO ARREMATADO LOUCO
NA URBE ACASTELADA
DE MEDO E TERROR
BRIGAM DE FOICE OS CEGOS
DEDOS ANELADOS DE PEDRAS PRECIOSAS
TEMEM PERDER SUAS JÓIAS
MAS NÃO OS DEDOS DECEPADOS
NA CURTA MEMÓRIA INSTANTANEA
DO QUE FOI ONTEM SE NÃO FOI AGORA ?
O VERME REMEXE DENTRO
DO CORPO AINDA INSEPULTO
RASGANDO O VENTRE
DO DEUS MORTO
EM BUSCA DA ETERNA FELICIDADE
CURTA MEMÓRIA
QUE QUANDO O FARTO ALIMENTO FINDA
NOVA FOME ASSOLA E ASSOMA
AO DOBRAR A SINUOSA VIA
EFIGIES DE REIS ARCAICOS E TRONOS DE PEDRA CINGEM
O MUNDO DECADENTE
NÃO PERCEBE O FLUXO QUE FENECE
TODO O DIA
ENQUANTO UM NASCITURO BERRA
SEU GRITO PRIMAL
DE MORTE VIDA
NA CONDIÇÃO INVERSA
DESSA DIMENSÃO DESPERTA



domingo, 24 de janeiro de 2016

AION



Centelha luminescente,
Fóton, luz que vira fragmento
de coisa viva
brilha, vibra e morre veloz
 num átimo percorre
o vazio
de toda a Criação

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Fome de Pedra





Caiu a ficha
Cedeu a caixa que apoiava a finta
Lata furada no fundo do esgoto
veio boiando na bosta viva
Peguei a danada e fiz a pita
acendi a pedra e queimei as tripas
Alucinei e deitei mole na pedra
Luz amarela surgiu do fundo
Subi a lomba e desci no muro
Cai sentado debaixo do entulho
É onde vivo ou quase consinto
colocar meu corpo no limbo
Perdi a coisa caiu do bolso
Olhei pro esgoto, pobre regaço
Cai em prantos e lambi os pratos
Veio nova a fome de pedra
O brilho num repente perdeu o lume
Nova carga exige a mente
num bagaço tornei-me
o fundo do buraco não acaba
o fundo do poço nunca finda
caiu mais uma vez a ficha...



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Revelações




Falsos Profetas anunciam dos altares nos Templos
É chegada a hora do Fim dos Tempos
Do arrebatamento dos “bons”
E a massa ignara apupa
Uiva sua torpeza
Lançando óbolos para os demônios
Que espreitam
Em seus olhares pútridos de crentes
Profecia auto imposta
Vermes comem as sobras da ceia
Entranhas dilaceradas da Mãe Gea
Mamal sem pelo / feto maduro
Escorre sua gosma
Brota eterno nascituro
E por onde lavra seu arado
A Mãe Terra é morta
Enquanto canta seus hinos ao Holocausto
Nas masmorras de concreto
Perdido em claustros
Lembrando as ricas eras
Areia fina escoa
Para o fundo da Ampulheta finda...



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O TERROR...O TERROR...! (AYLAN)








O Terror...o Terror !
O frio mármore pontico das vagas 
foi teu final acalanto
Sequer o terror e a morte
Por ti compadecidos permitiram
Que o tempo tresandasse maior
Ou muito longo mais fosse teu sofrimento 
no último respiro exasperado
afogado nas profundezas do oceano
Braços perdidos da querida mãe ignorada
Que desceu contigo os abismos
Rogando a clemência das intempéries
Esse teu filho, pequena criança desterrada
De nossa humanidade perdida 
espectadores 
como somos todos
embrutecidos pela tela inodora 
já não pranteamos sua perda
mas a nossa 
Pois não foi dele a culpa da morte e do terror extremo
Mas fomos nós que perdemos nossa essência
Em algum momento
Com a imagem da pequena figura inerte
Jogada como um pet vazio numa praia
Barbarizada como coisa corriqueira
De um mundo superlotado 
Nós falhamos em algum momento
E já não conseguimos mais resgatar nossa empatia
até quando distante ?
O Terror...o Terror !


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Meandros e Labirintos





Apura a noite dos tempos

Escriba eterno subjaz

Traça no sêmen a origem de cada vaso

Em letras fortes, arcaicas.

Caracteres de Sombras

No plano alvo grava o texto

Da nave central do templo

Na outra dimensão

Imagem inconclusiva

Onde a coisa é potencia ainda.

Dança do Tempo

Ritual além de nosso entendimento

O Campo Ancestral

Na forja incendeia 

Bate candente o martelo ferreiro

Azáfama de Cabiros

Como chama astral pura

Derrama no molde a imagem bruta.

Do Abismo, além do Horizonte de Eventos

Ah, Esse Abismo!

Vislumbre de sonhos de ópio e éter

Estrela Negra, fulcro

Coroa de Poder de onde emerge

A energia que habita em cada forma

Ilude o teu corpo sensor

Enquanto desavisado desce a rua

E não percebe a luz da tela

E o maquinário que esconde a cena

Por trás do palco que finge labuta

A Vida

Como Abaixo

Também Acima.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Fenestras





Fenestras de Florença

Medievais toscanas

Ruas tortuosas e estreitas

Que passam por muitos países

Anciã do alto observa o movimento

Debruçada em sua almofada de brocados

A vida passa lá embaixo tempestuosa

Ventanas de Valência

Com floreiras vistosas

Parecem  Buenos Aires

Com as mesmas rosas

Soltas no espaço

Da calle ancha

Windows, Wind holes

Línguas bárbaras

Em Los Angeles

Sentidos cheios de obviedades

Parece um cenário gasto

De um velho filme roto

Celulóide rolando solto no projetor 8 mm

Flap, flap, flap

Batem asas na janela

Soturna, vazia, oca

De uma casa abandonada


Até mesmo pelo abandono