quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A MENTE MENTE II



Firulas, falcatruas, melancolia
razão, intuição e epifanias,
sistemas, teoremas, maravilhas
sobrevivências, reminiscências e orgias
politica, poder e ideologias
religião, inquisição e teologia
sinistras formas de magia
mecânica quântica e holografia
física e cosmologia
A mente sempre mente
para o ser que se ilude perene
pois Ela é o Verdadeiro Mistério.




terça-feira, 14 de agosto de 2012

A MENTE MENTE


A mente sempre mente
para o ser na eterna busca do prazer sensorial
A mente sempre mente
para o ser na ilusão de querer
o que não pode alcançar
A mente sempre mente
para o ser indiferente da vontade
pois só ela sabe
o objetivo da vontade
A vida é da mente 
o ser sempre se ilude perene


sexta-feira, 27 de julho de 2012

AMOR ZEN

Quando chego em casa
me avistas alegre com teu olhar de flores
guarda a lembrança de nossos amores
no calor da alcova só afagos e carinhos
Jazz e vinho

Campo de Batalha







Corvos disputam as carniças
Onde antes heróis disputavam flâmulas
para as Valquírias
Silencio dos corpos insepultos
Grasnar das negras aves de luto




CLASSIFICADOS

Vende-se Casa de Sobrado
que necessita pequenas reformas
com amplos quartos vazios
dos filhos que já se foram
Depósito de ilusões perdidas
Cozinha de afazeres sórdidos
Sala de gritos suspensos no ar
Porta da rua aberta para nunca mais voltar



terça-feira, 26 de junho de 2012

Terra Cansada

Campo desnudo
a lavra se perde até o horizonte
o lavrador caminha 
ceifas e enxadas ao ombro
esconde o sol
o rosto tardio
o cansaço amargo
do homem
da lavra
da terra arada


segunda-feira, 5 de março de 2012

O Dragão Fêmea e a Lua Negra



Não fosse da noite testemunha
a Lua Negra 
Selene pálida quase sumida 
Artemísia mirava sua imagem de narciso
no lago da intensa paixão reflexa
Não fosse agora, como seria ontem
um sonido, uma buzina insuspeita
 ténue raio trespassava o lucivelo
que iluminava a mundana rua
Rosa Branca teria sido despercebida
de Artemísia ébria de espíritos



Nesse mesmo instante
do centro inefável da galáxia,
de onde habita Panku
raios cósmicos peraltas
vieram aqui tecer suas brincadeiras
de partículas infantes
sem formas, nem vícios
varando a tela sutil da noite
atravessando mentes e corpos
ligando, separando, recriando, desunindo
harmônicas e constantes
incendiando paixões e líbidos
colocando em movimento
imensas energias celestes
sem culpa



Rosa Branca e Artemísia voluntariosa
trocam olhares, tramam artimanhas
jogos de cena, palavras roucas
confissões que só os espíritos do vinho concedem
palavras que só a madrugada consente
No banho nu da Lua Negra
inflama tórrida união
se entregam como podem
enroscadas no troca, troca
sem dó ou pudor
sem nada que não seja o tocar
gozo, prazer e delicia



Flor se despetala
caçadora que espreita
fisga a presa e flui
liquido susurro de prazer
inesgotável ardente lascívia


Folia de partículas peraltas 
do centro inefável da galaxia
  levianas andarilhas de estrelas
êxtase e paixão 
de Rosa Branca e Artemísia...