domingo, 5 de junho de 2022

THE END




Éris tece novamente a teia

da Discórdia

A deusa que destruiu Troia

confronta mais uma vez

Oriente e Ocidente

em derradeiro conflito

duas faces de um mesmo mundo

nave/esfera 

que vagueia na Galáxia

em infinito Universo  

mísseis de sua superfície 

decolam para o espaço

como as orgulhosas naus

de Odisseu

que soçobram

das rochas lançadas

pelo ciclopes do Tempo

que se esvai como fina areia da praia

entre os gritos de dor dos comuns

que nenhum deus escuta ou pranteia

a hora final se aproxima

está na próxima esquina

na face destruída do homem sem lar

que mendiga a própria desesperança

da Terra finda e inumana

que rasteja para o abismo a cada dia

como velho filme preto&branco

de ficção cientifica

THE END

 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

A Sombra na Biqueira






Não se sabe como morreu


se foi enfrentando a policia


ou pelo chefe do comando


em fatídica sentença


por causa de alguma vendeta


sua sombra ali ainda erra


naquela viela esgoto imundo


em agonia constante


junto com outras sombras


todos encostados no muro


para eles é sempre noite


lá nunca raia o dia


de todas as sensações


a pior dor é o frio incessante


que sente na alma perdida


como amputado membro


em alguma carnificina


na sombra que não se governa


em sofrimento constante


neste frio calabouço recorda


seus dias de vida e glória


os jovens e velhos clientes


com seus olhos esgazeados


suas bocas secas


de quem ele tirava tudo


até mesmo suas essências


as várias meninas curradas


em troca de alguns baratos


ainda escuta seus lancinantes gritos


que ecoam lá do Paraíso


como vingativas Eríneas


para aumentar mais ainda 


seu maldito tormento


em castigo dantesco 


e cada segundo que passa


conta como dez anos em vida


nesta eterna sentença


nem pode mais usar nada


mas quando tem um maluco


usando algo a cerca


sente aquela loucura


que só se pode dar pena


tenta alertar os outros


seus irmãos encarnados


de seu não futuro


berrar do tumulo sua culpa


mas ninguém o escuta


nem pastor algum salva


recitando alguma reza


ou advogado liberta


com infalível proclama


até o final dos tempos


no julgamento das almas...

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Amores em tempos de pandemia


Quando a vida perde o sentido

a loucura extravasa a morte

o castelo de cartas voa

o raio destrói a Torre

Lobo assopra a casa de palha

do que era antes amor eterno


Era uma vez uma princesa

que tomou um porre

como quase todo o dia tomava

e deixou-se desabar na suja sarjeta

mascara rota / malcozida

caiu na vala

vociferando opróbrios

com os demônios que carregava

em seu ventre seco

Desabou como pedra

fera ferida

xingou o mundo

até mesmo seu mais intimo amante

quebrou a bengala 

da consciência e sabedoria

com seus impropérios sem sentido

e depois perdeu tudo que tinha

em apenas alguns minutos

de ira bêbada 

loucura etílica plena

perversa e sem sentido

sentimento suicida

de quem por dentro 

morre a cada instante

e despercebe a alma rota

 

domingo, 31 de outubro de 2021

O Dia da Bruxa

 


O DIA DA BRUXA

CEDO OU TARDE 

UM DIA CHEGA

COM JUROS 

CORREÇÃO MONETÁRIA

UM DIA QUEIMA 

NA GRANDE FOGUEIRA

A CIDADE INTEIRA

QUAL JENY DOS CANHÕES

APORTA A FRAGATA

A PLENAS VELAS

VAI ESTOURAR A GUERRA 

INTESTINA

HORROR QUE SE AVIZINHA

URBE ALGUMA VAI RESISTIR 

AO FUROR DESTA  CHAMA

HORDAS DE DESEMPREGADOS  

MASSAS DE DESASSISTIDOS

PELA FOME

POR FIM ESCLARECIDAS

ROMPERÃO OS GRILHÕES

COLOCARÃO SEUS PATRÕES

EM BOAS GUILHOTINAS....



quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O ANTIATEU







Percebo num átimo

quando por segundos desperto

da hipnose coletiva

um lapso que se repete

reflexo do selvagem que

em mim ainda habita

coberto de falsos conceitos

vestido de sedas e roupas finas

olho para a eternidade

através dos tempos

e me questiono:

Por que ainda florescem

as árvores em Chernobil?

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Eremita




Sinto que a solidão me afaga

como bruxa solerte

que me aprisiona na pequena sala

onde agora habito

Lembro dos dias de glória

o amor das companheiras na alcova

as cândidas risadas

de meus amados filhos

seus passos trôpegos

suas correrias

pela casa assobradada

a sorte de perceber o exercitar 

de suas asas

na imaginação das brincadeiras infantis

Há anos sobrevivo aqui neste sepulcro aberto

como morto vivo

refém das lembranças

fingindo a empáfia do conhecimento

atenuando a solidão com meus livros

única paixão restante de um homem antigo

A vida é madrasta que ensina

com chibata cortante de sonhos perdidos

em alguma noite escura

quando cai a máscara definitiva

persona que se ajusta sob medida

para cada próxima cena

desta peça bufa

que denominamos existência

coisa que se arrasta

entre delírios e desilusões

filme preto e branco de sessão coruja

que se queima na exígua chama

do fogo fátuo que brilha

nas covas noturnas

por fim esclarece-se

desvela a verdadeira face

Desço mais uma vez ao vale das sombras

agora já não temo a escuridão

o final que se avizinha

vão sumindo todos os sentidos

vão morrendo os sentimentos

numa veloz volúpia

que deixa o vivente nesta tonteria/

vertigem das sensações

que por fim cessam

uma a uma

ao penetrar neste ignoto vazio

que absorve a alma

em direção ao nada

que se aprofunda infinito

no mergulho final da consciência

que desliga por fim suas funções

agradecida por não mais existir...


quarta-feira, 7 de abril de 2021

Clã do Jaguar






Sou do Clã do Jaguar

No corpo carrego as cicatrizes

de muitos combates

de muitos cativos

levados para os jogos de pela

Subo muitas vezes os degraus

do Templo Sagrado

Luto na pedra do sacrifício

Mato guerreiros tapuias de valor

em defesa do reino

Ao tombar o moribundo

do golpe mortal

irrompe do peito 

aquele pulsante coração 

pela obsidiana afiada

do Nagual em oferta ao deus maior

Texcatlipoca

que sustenta o astro Sol

e conserva o Universo

Serve os despojos do guerreiro

para saciar minha fome de fera

bebo o sangue do valente

devoro em reverencia suas carnes

Sua pele esfolada veste o sumo sacerdote

como manta sagrada

em homenagem ao valoroso guerreiro

Sigo com a alma leve de pecado

na certeza do agrado aos deuses

e da eternidade da alma...