terça-feira, 5 de janeiro de 2021

2020 - O DIA QUE NUNCA ACABA

 




Mar sem fim

entardecer lento / permanente

longa praia se estende

por léguas

cheia de brancas dunas

ocaso

de nossos dias na Terra

Sol que se afaga entre nuvens

indeciso entre o dia perene

e a noite escura de espíritos

Os argonautas cruzam os mares

em busca da Imagem Sagrada da deusa

singram o abismo profundo

Ilha de Circe

onde o tempo inexiste

se anula

Happy hour art deco

com fimbrias fenícias

e molduras

ornando ventanas

Ocean Drive deserta

Diverte o passaredo a ausência

dos bartenders e turistas

O fim do mundo aparece nas telas

Todos os dias contamos as vitimas

imoladas ao deus capital

Como um fim de tarde

numa praia deserta

eterno retorno

na Idade das Trevas

Os povos do mar novamente se nutrem

de carne humana

Arrasaram Aleppo na Síria

Incendiaram novamente Tróia

Bombardearam Askalon na Palestina

com inteligentes bombas

plenas de argumentos

de ferro quente e fúria

em sucessivas cruzadas

de falsa fé

A peste se alastra lentamente

entre a massa ignara

que se acotovela

neste ano terminal

pleno de perplexidades e finitudes

Dormir, sonhar

despertar em tempo futuro

em outra dimensão do multiverso

mais justa e serena

Tudo é transitório

Nada permanece para sempre

alerta o Bhuda

 




terça-feira, 22 de dezembro de 2020

A Deusa do Vale

 





Cibele / Maia

A Grande Alma do Mundo

vibracional onda

que maneja o sopro divino

Criadora que permeia o Tudo

Mediadora entre os planos e dimensões

infindas

Do grande ao diminuto

Da matéria ao espírito

Do exterior ao interior

do Universo

de repente se descobre

em infinito labirinto

de repetidos paradigmas

morte e vida

Samsara

de existências

mundos e seres

dos quais Ela mesmo desconhece o fulcro...

sábado, 12 de dezembro de 2020

Dream On Me




O sonho de BRAHMA

forja o Universo no aqui agora

a cada instante

Enquanto isto no Outback

xamãs em transe sonham

com seus Billaboings

Também sonham os mundurucus

na Amazônia

Sonham lapões e navajos

bem como os monges

nas suas celas

em Lhasa

Na Floresta Negra

sonham os corvos com suas fadas

Sonha o pecador pelo perdão

da amada

Sonha a fada 

com a forma perfeita

Vadiam meus sonhos de ópio  

numa clara noite
 
de Verão... 


domingo, 15 de novembro de 2020

Ensaio Poético sobre o Amor e o Poder





O amor que se ama

um dia desaparece para algum lugar

quando vai embora

O amor que se espelha no outro

ama até desaparecer para estranho nicho

suspenso no âmbar como mosquito

do Jurassic Park

O amor que se mira no outro

um dia some e fica congelado

como inseto suspenso no âmbar

O amor que se ama quando acaba

para onde vai?

Ele se esvai?

Ou fica suspenso como bicho

aprisionado no âmbar?


Os sacerdotes entoam seus cânticos

nos templos

ainda assim

seus deuses permanecem calados

silentes estatuas de pedra

celebram o festim

de suas vitimas imoladas

na falsa moral

do amor divino...

O AMOR não opera maquinas



sexta-feira, 16 de outubro de 2020

#FimdosTempos

 







Arde na Mata o ar que me falta!

Já não consigo respirar

o capital mata e asfixia

Morre no fogo a Deusa Viva

o fim da Mãe Natureza

Enquanto isso nos iludimos

durante toda a nossa

curta existência

estarmos cheios de coisa alguma

quando na verdade

Órfãos da deidade perdida

na própria vacuidade

estamos vazios de tudo

Somos amebas bípedes

em busca de satisfazer

nossas imediatas percepções sensoriais

Como mariposas em busca da luz

que nos incendeia

A nova geração da U.S. Robotics









segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Pandemonium





Arde na mata o ar que me falta

Já não consigo respirar

O Capital asfixia e mata


Corre Jaguar 

Foge Arara

Voa ave rara

para bem longe

do fogaréu 

que se alastra.

Morre Tatu Molita

Padece o Canastra

finda a mata

o deserto domina

o sol que mata

o homem que queima

e nada sobra

Seca o rio

Morre Jacaré

Some Capivara

Boto, Ariranha

Tamanduá Bandeira

Queima a Amazônia

Queima o Grã-Pará

Corre Lobo Guará

Se esconde Suçuarana

Silencia o canto

da Saracura

O homem queima e mata

O Bicho some

A Mata cala

A seca mata a bicharada

para sempre

sem volta

Seca a Mata Mãe

Seca o Mestre Rio

Seca a Vida por um fio

em todo o planeta...


   

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

ADEUS!




Adeus

Caso algo me ocorra

Não pensem os amigos que o destino

Me agonia

Não pretendo aborrecido paraíso 

Com casa assobradada 

e divina vista

do Onipotente  

Anjos sem sexo

E sem birita

Vou ser Luz distante 

Da forja prima

Ao final do túnel

Voltar a Fonte

Com certeza de missão

Cumprida

Beber cerveja no Valhala

Contar piada

Sobre a Existência

Verdadeira

Comédia humana

Onde todo homem prantea

A morte com antecedência

Enquanto esquece a vida 

e não entende que seu fim

ninguém avisa